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Folha de S.Paulo é um editado na cidade de e jornal de maior circulação do Brasil, com 326.573 exemplares (incluindo assinantes digitais), segundo o (IVC), em maio de 2018.

Fundada por um grupo de jornalistas liderado por e Pedro Cunha em 19 de fevereiro de 1921, a Folha foi criada em oposição ao principal jornal da cidade, , que representava as elites rurais e assumia uma posição mais conservadora, tradicional e rígida. Em 1950, todas as Folhas passaram a ser impressas num prédio na Alameda Barão de Campinas, ampliado no final dos anos 1960 com a construção de um segundo prédio na alameda Barão de Limeira, no . Hoje, esse prédio é a entrada principal da empresa.

Em 1986 a Folha tornou-se o jornal de maior circulação em todo o país, liderança que mantém desde então. Em 1995, um ano depois de ultrapassar a marca de 1 milhão de exemplares aos domingos, a Folha inaugurou seu novo parque gráfico, considerado o maior e mais atualizado tecnologicamente na América Latina. O recorde de tiragem e de vendas do jornal foi alcançado em 1994, na época do lançamento do Atlas Folha/The New York Times (1.117.802 exemplares no domingo).

Atualmente, a Folha é o centro de uma série de atividades na esfera da indústria das comunicações, abrangendo jornais, banco de dados, instituto de pesquisas de opinião e de mercado, agência de notícias, serviço de informação e entretenimento em tempo real, gráfica de revistas e empresa transportadora. Ao lado de , , , e O Estado de S. Paulo, entre outros, forma o grupo dos principais do Brasil.

Índice

O jornal dos trabalhadores urbanos[ | ]

Capa da primeira edição da "Folha da Noite" que foi publicada num sábado, 19 de fevereiro de 1921

Um grupo de jornalistas liderado por Olival Costa e Pedro Cunha fundou a Folha em 19 de fevereiro de 1921, com o nome de Folha da Noite. Era um jornal vespertino, com um projeto que pregava textos mais curtos e mais claros, enfoque mais noticioso que opinativo, agilidade e proximidade com os assuntos que afetavam o dia a dia da população paulistana, principalmente os trabalhadores urbanos.

Foi criada em oposição ao principal jornal da cidade, , que representava as elites rurais e assumia uma posição mais conservadora, tradicional e rígida. O empreendimento foi bem-sucedido, levando os sócios a comprar uma sede própria, uma rotativa e, em julho de 1925, criar um segundo jornal, agora matutino: a Folha da Manhã.

Também em 1925 surgiu na Folha da Manhã o personagem , que acabou se tornando um símbolo do jornal. Criado pelo cartunista Benedito Carneiro Bastos Barreto (1896-1947), o , Juca Pato era “o homem comum”, que criticava com ironia os problemas políticos e econômicos e repetia o bordão “Podia ser pior”.

As principais críticas das “Folhas” eram dirigidas aos partidos republicanos que monopolizavam os governos da época. A empresa chegou a apoiar a criação do Partido Democrático, de oposição. Em , no entanto, Olival Costa, então o único dono das “Folhas”, passou a se aproximar dos republicanos paulistas e a repudiar opositores da , ligados a .

Em outubro de 1930, com a vitória da varguista, jornais que haviam se contraposto a Getúlio Vargas foram depredados por partidários da Aliança Liberal. As instalações da Folha foram destruídas e Costa vendeu a empresa a Octaviano Alves de Lima, empresário ligado à produção e, principalmente, ao comércio de café.

Defesa dos produtores rurais e oposição a Getúlio Vargas[ | ]

O propósito inicial de Alves de Lima, que assumiu o jornal em 1931, era defender os interesses “da ”, ou seja, dos produtores rurais. Mas eventos importantes levaram o foco noticioso para outros temas: a revolução de 1932 (em que paulistas tentaram recuperar o poder perdido para Getúlio Vargas), a Segunda Guerra Mundial (de 1939 a 1945) e o Estado Novo (ditadura varguista que durou de 1937 a 1945).

Sem familiaridade com a imprensa, Lima trouxe para a direção da empresa o poeta Guilherme de Almeida e entregou a direção editorial a Rubens do Amaral, que formou uma Redação de tendência antigetulista. Hermínio Sachetta, militante trotskista que chegou a ser preso pelo Estado Novo, assumiu a Secretaria de Redação logo depois de deixar a prisão.

O governo ditatorial exercia pressão política e econômica sobre a imprensa, concentrando munição em São Paulo contra o matutino , que havia patrocinado a . O diretor do jornal, , foi preso três vezes e forçado a se exilar, enquanto o Estado ficava sob intervenção do governo varguista, de 1940 a 1945. Com o concorrente calado, a Folha da Manhã sobressaiu como voz de oposição à ditadura.

A atitude crítica é um dos motivos apontados para a troca de proprietários da empresa, ocorrida em .

Na terceira mudança de mãos, os jornais foram comprados pelo fazendeiro Alcides Ribeiro Meirelles, o advogado e o administrador Clóvis Queiroga. Nabantino foi indicado pelo interventor do estado de São Paulo, Fernando Costa, a pedido de Getúlio. Queiroga, por sua vez, representava o conde , que era impedido de possuir veículos de comunicação, por ser italiano. Matarazzo financiou a compra de rotativas mais modernas e viu na empreitada uma oportunidade para responder aos ataques que lhe faziam os jornais de , seu desafeto.

Uma das armas idealizadas por ele nessa batalha foi reduzir o preço das Folhas, para sufocar os negócios dos , de Chateaubriand. O tiro, no entanto saiu pela culatra: Nabantino Ramos contabilizou as perdas que a empresa sofreu com essa redução de preço como pagamento pelo financiamento concedido pelo conde e, após alguns meses, declarou a dívida quitada, assumindo a condução editorial dos jornais.

Jornal das classes médias e das campanhas cívicas[ | ]

Sede atual da Folha em São Paulo, para onde o jornal se mudou nos anos 1950.

Advogado, Nabantino Ramos era aficionado por técnicas de gestão e controle, e implantou nas décadas de 1940 e 1950 várias inovações: concursos públicos para contratação, cursos de jornalismo, premiação por desempenho, controle de erros. Redigiu um e uma política editorial. Lançou um terceiro jornal, a Folha da Tarde, em 1949, e patrocinou dezenas de campanhas em várias áreas: combate à e ao , defesa de , melhorias de , obras urbanas, entre outros.

Em 1950, todas as Folhas passaram a ser impressas num prédio na Alameda Barão de Campinas, no . Em 1953, todas as instalações dos jornais foram transferidas para lá. No final dos anos 1960, foi construído um segundo prédio, na alameda Barão de Limeira, sede da Folha até hoje. O local também abrigaria as instalações dos jornais e .

Apesar da organização empresarial, Nabantino carecia de tino comercial e da flexibilidade necessária para negociar financiamentos e administrar orçamentos. No começo dos anos 1960, a empresa sofria com custos aumentados pelo preço do papel jornal. Os três jornais foram fundidos em um só título, Folha de S.Paulo, em 1960, no início mantendo as três edições. Mas, conforme a situação financeira se deteriorava, as edições vespertinas foram canceladas e o jornal fixou-se como matutino.

As dificuldades foram agravadas em 1961, pela vitória de uma greve de jornalistas que paralisou todos os veículos de São Paulo e obteve melhorias de salário e benefícios trabalhistas, o que ampliou ainda mais os custos do jornal. A empresa foi vendida em 13 de agosto de 1962 aos empresários e .

Durante vinte anos (1950-1970), o da Folha foi o chargista .

Pluralismo e liderança[ | ]

Frias e Caldeira, respectivamente presidente e superintendente da empresa, voltaram-se à tarefa prioritária de recuperar o equilíbrio financeiro do jornal. Para dirigir a Redação, Frias nomeou o cientista , um dos criadores da (SBPC). Trouxe para integrar a equipe o responsável pela modernização do rival , o jornalista , que viria a suceder a Reis e manter, com Frias, uma produtiva convivência profissional que se prolongou por mais de vinte anos. Em 1964 a Folha de S.Paulo apoiou a derrubada do presidente e o estabelecimento de um regime de tutela militar - temporária, conforme se acreditava - sobre o país.

Superada a fase de adversidades econômico-financeiras, a nova gestão passou a se dedicar à modernização industrial e à montagem de uma estrutura de distribuição de exemplares que alicerçou os saltos de circulação que estavam por vir. Foram comprados novos equipamentos e impressoras nos Estados Unidos. Em 1968 a Folha se tornou o primeiro dentre os grandes jornais latino-americanos a ser impresso no sistema "off-set". Em 1971, outro pioneirismo: os moldes de chumbo passavam à história e o jornal adotava a composição "a frio". O jornal crescia em circulação e melhorava sua participação no mercado publicitário.

No final dos anos 60 Frias chegou a organizar o embrião de uma rede nacional de televisão, congregando à de São Paulo, líder de audiência cujo controle adquiriu em 1967, mais três emissoras no , e . Por insistência de Caldeira, porém, os dois sócios abandonaram a empreitada em 1969.

O começo da década de 1970 foi turbulento para a história do jornal. Acusado por organizações da luta armada de emprestar carros para a repressão da ditadura, a Folha passou a ser alvo dos guerrilheiros, que interceptaram e queimaram três camionetes de entrega do jornal, duas em setembro e uma em outubro de 1971 e ameaçaram de morte o dono do jornal.

Em resposta, Octavio Frias assinou na capa do jornal o editorial “Banditismo”, afirmando que não aceitaria a agressão nem as ameaças. Seguiu-se, no jornal do grupo guerrilheiro , um texto em que Frias era classificado como inimigo da organização e do país.

O antagonismo entre o jornal e os grupos de esquerda se aprofundou e culminou com o editorial “Presos Políticos?”, publicado em junho de 1972, no qual se questionava a existência de pessoas presas por causa de suas posições políticas. O editorial era também uma resposta ao concorrente O Estado, que defendera tratamento especial aos presos políticos. Dizia: “É sabido que esses criminosos, que o matutino qualifica tendenciosamente de presos políticos, mais não são que assaltantes de bancos, sequestradores, ladrões, incendiários e assassinos, agindo, muitas vezes, com maiores requintes de perversidade que os outros, pobres-diabos, marginais da vida, para os quais o órgão em apreço julga legítimas todas as promiscuidades”.

O episódio provocou também uma crise interna. Na semana seguinte, os editoriais foram suspensos. No mesmo ano, Cláudio Abramo foi afastado da chefia e a Folha só voltaria a adotar uma atitude política mais independente e afirmativa, em vez da "neutralidade" acrítica que se seguiu ao fim dos editoriais, no final de 1973.

Reformas e Projeto Folha[ | ]

A Folha começou a ganhar espaço junto às camadas médias que ascenderam com o "milagre econômico", fixando-se como publicação de grande presença entre jovens e mulheres. Ao mesmo tempo, dedicava-se com desenvoltura crescente a áreas do jornalismo até então pouco exploradas, como o noticiário econômico, esportivo, educacional e de serviços. A Folha apoiou a ideia da abertura política e se colocou a serviço da redemocratização, abriu suas páginas para todas as tendências de opinião e incrementou o teor crítico de suas edições.

Frias acreditava firmemente na filosofia editorial de uma publicação isenta e pluralista, capaz de oferecer o mais amplo leque de visões sobre os fatos. Encontrou um colaborador habilitado em Abramo, responsável pela área editorial entre 1965 e 1973, sucedido por Ruy Lopes (1972/73) e (de 1974 a 1976) e reconduzido a essa função em , onde permaneceu até 1977, quando Casoy, em meio à crise provocada por uma tentativa de golpe militar contra o presidente , foi convidado por Frias a retornar ao cargo.

Abramo reformulou o jornal, fez a primeira (1976) de uma série de reformas gráficas que se sucederiam, reuniu colunistas como , , , , , , , , Luiz Alberto Bahia e . A Folha se transformava num dos principais focos de debate público do país. Ao contrário das expectativas, essa linha editorial foi preservada e desenvolvida durante o período em que Casoy foi editor responsável (-). Em 1983-84, a Folha foi o baluarte do movimento , a favor de eleições populares para a Presidência da República, na imprensa.

A direção da redação foi assumida em 1984 por , que sistematizou e desenvolveu as experiências do jornal no período da abertura política e da campanha Diretas. Documentos divulgados periodicamente traduziram as linhas editoriais do jornal, no que ficou conhecido como Projeto Folha, cuja implantação na Redação foi coordenada por e . Define-se pela prática de um jornalismo crítico, apartidário e pluralista. Esses princípios nortearam também o Manual da Redação, lançado em e atualizado desde então. Mais que um manual de estilo, é um conjunto de normas e compromissos assumidos pelo jornal. Foi o primeiro livro do gênero colocado à disposição do público.

O pressuposto é que o jornalismo deve ser descritivo e preciso, mas que todo tema sujeito a controvérsia admite mais de um ângulo e exige tratamento pluralista. O jornal tornou-se conhecido também pela diversidade de seu elenco de colunistas. Ao mesmo tempo, criaram-se mecanismos de controle interno, como freios e contrapesos: o próprio Manual, a seção diária "Erramos" (1991), a obrigação de publicar contestações enviadas ao jornal e, sobretudo, o posto de (1989), profissional dotado de estabilidade temporária e encarregado de criticar a própria Folha e acolher pleitos de leitores e personagens do noticiário.

Desde meados do regime militar, a Folha manteve posição crítica diante de sucessivos governos (Geisel, Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar). Otavio Frias Filho foi processado juntamente com outros três jornalistas da Folha pelo então presidente Fernando Collor, que chegou a ordenar que a invadisse a redação sob acusação de irregularidades na cobrança dos anunciantes. Embora apoiasse suas propostas de liberalização econômica da gestão de , foi a primeira publicação a recomendar o do chefe do governo, afinal consumado em 1992. A cobertura dos governos (PSDB), (PT), (PT) e (PMDB) valeu ao jornal acusações de ser pró-oposição durante cada um dos períodos presidenciais.

Em 1986 a Folha tornou-se o jornal de maior circulação em todo o país, liderança que mantém desde então. Em 1995, um ano depois de ultrapassar a marca de 1 milhão de exemplares aos domingos, a Folha inaugurou seu novo parque gráfico, considerado o maior e mais atualizado tecnologicamente na América Latina. O recorde de tiragem e de vendas do jornal foi alcançado em 1994, na época do lançamento do Atlas Folha/The New York Times (1.117.802 exemplares no domingo).

Atualmente, a Folha é o centro de uma série de atividades na esfera da indústria das comunicações, abrangendo jornais, banco de dados, instituto de pesquisas de opinião e de mercado, agência de notícias, serviço de informação e entretenimento em tempo real, gráfica de revistas e empresa transportadora.

Em 1991 as ações da Empresa Folha da Manhã S.A. que pertenciam a Carlos Caldeira Filho passaram a , publisher do jornal até sua morte, em 2007.

Desde 1984 ocuparam a função de editor-executivo da Folha os jornalistas (de 1991 a 1997), (de 2000 a 2010) e Sérgio Dávila (desde março de 2010).

Em 1967 a Folha adotou a impressão em cores, usada em larga tiragem pela primeira vez no Brasil. Em 1971, o jornal abandonou a composição gráfica a chumbo e se tornou o primeiro a usar o sistema eletrônico de fotocomposição no Brasil. Em 1983, com a instalação dos primeiros terminais de computador, passou a ter a primeira Redação informatizada da América do Sul.

Em 1984 lançou o primeiro de seus manuais da Redação, que viriam a se tornar obras de referência para estudantes e jornalistas. O livro ganhou novas versões em 1987, 1992, 2001 e 2018.

Em 1989 foi o primeiro veículo no país a ter um , uma espécie de encarregado de receber, investigar e encaminhar as queixas dos leitores e de fazer comentários críticos sobre o jornal e outros meios de comunicação. Desde então, onze jornalistas ocuparam o cargo: , Mario Vitor Santos, Junia Nogueira de Sá, Marcelo Leite, , , , , , , Vera Guimarães Martins e Paula Cesarino Costa.

Ainda na década de 1980 a Folha também foi pioneira na adoção de e quadros que explicam detalhes e contexto das principais notícias.

Em 1995 com a inauguração do Centro Tecnológico Gráfico-Folha em Tamboré (, Grande São Paulo), parque gráfico orçado em 120 milhões de dólares, o jornal passou a circular com a maioria de suas páginas coloridas. Ainda em 1995, foi o primeiro jornal do Brasil a fornecer contéudo atualizado em tempo real na internet.

Em julho de 2011 o jornal passou a publicar na internet a , com notícias do jornal traduzidos para o e o .

Escândalo do mensalão[ | ]

Em 6 de junho de 2005 a Folha de S.Paulo publicou uma entrevista do a , editora do Painel da Folha, com uma denúncia de pagamentos mensais de 30 mil reais realizados pelo tesoureiro do , , a alguns deputados da base aliada, com o objetivo de aprovar emendas favoráveis ao governo. A partir daí, o caso desdobrou-se em inúmeras acusações e investigações sobre o que a imprensa passou a denominar "", resultando na instauração de uma , cassação e renúncia de diversos parlamentares, afastamentos de diversos ministros e funcionários de altos escalões do e do PT, culminando em um convertido em no contra 39 supostamente envolvidas no esquema, sob a relatoria do ministro . A entrevista de 6 de junho publicada pela Folha também marcou a primeira aparição do termo "mensalão" na mídia. Lo Prete foi agraciada com o de Jornalismo 2005, em reconhecimento ao seu trabalho e à repercussão da entrevista publicada pela Folha.

No segundo semestre de 2017, a Folha contava com correspondentes, entre fixos e bolsistas, nas seguintes cidades:

Colaboração com a ditadura[ | ]

A Folha é acusada de ter colaborado com a emprestando carros para que policiais do , órgão de repressão da ditadura, fizessem campana e prendessem militantes da esquerda.

Segundo Carlos Eugênio Sarmento da Paz (Clemente), principal dirigente do braço armado da , a convicção de que a Folha apoiava ativamente a ditadura levou o grupo a interceptar e incendiar camionetes do jornal e a ameaçar Octavio Frias, no final de 1971.

A edição de novembro do jornal Venceremos, editado pela ALN, dizia que "Octavio Frias de Oliveira certificou-se de um fato real: há uma guerra e ele é um inimigo. [...] O Sr. Octavio Frias de Oliveira sente-se acuado, porque sabe [...] que a verdade revolucionária o atingirá e que seu justiçamento é uma questão de tempo."

Não há documentos que comprovem a colaboração material da Folha nem que a mencionem nos arquivos do Deops e na coleção de jornais clandestinos da guerrilha mantida pela .

Dois militantes de esquerda afirmam ter visto caminhonetes da empresa no prédio do Departamento de Operações Internas – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), centro do sistema repressivo do regime militar, na rua Tutoia, no bairro da Vila Mariana, onde ficaram presos. O jornalista Ivan Seixas, capturado pela (Oban) em abril de 1971, aos dezesseis anos, conta que viu duas vezes os carros de entrega da Folha parados em frente ao prédio, em locais normalmente ocupados só por carros policiais. Segundo o também jornalista Francisco Carlos de Andrade, ex-militante da ALN, preso em novembro de 1971, caminhonetes com os logotipos da Folha da Tarde e da Folha de S.Paulo estacionaram várias vezes no pátio interno da rua Tutoia.

A direção da Folha não nega a possibilidade de a colaboração ter ocorrido, mas sem o conhecimento da empresa. Em 2001, em entrevista, Octavio Frias declarou que, se houve algum tipo de ajuda, foi à sua revelia. Em 2006, em depoimento para a biografia do empresário, o diretor de redação, , militante no movimento estudantil no final dos anos 1970, disse considerar possível que veículos da empresa tenham sido usados por policiais e que, ao questionar o pai sobre o episódio, ele sempre negou ter sido consultado sobre empréstimos ou mesmo ter tomado conhecimento deles.

O empréstimo de caminhonetes para a polícia era voz corrente entre a guerrilha já no início dos anos 1970. Há referência a esse uso no diário de um preso político recolhido ao , que relata uma greve de fome ali deflagrada em junho de 1972, contra a transferência de sete militantes considerados “irrecuperáveis” pelo governo.

Do ponto de vista político, o tratamento dado pela Folha a essa greve foi crucial e contribuiu para fixar nos grupos de esquerda a convicção de que a empresa e seus donos apoiavam a ditadura e a tortura. Em 30 de junho, o jornal publicou o editorial “Presos políticos?”, em que questionava a existência de pessoas presas no país apenas por causa de suas posições ideológicas. Em resposta a um editorial publicado dias antes pelo concorrente , que defendera tratamento especial aos presos políticos, o editorial dizia: “É sabido que esses criminosos, que o matutino [Estado] qualifica tendenciosamente de presos políticos, mais não são que assaltantes de bancos, sequestradores, ladrões, incendiários e assassinos, agindo, muitas vezes, com maiores requintes de perversidade que os outros, pobres-diabos, marginais da vida, para os quais o órgão em apreço julga legítimas todas as promiscuidades.”

O episódio provocou uma crise interna. Na semana seguinte, os editoriais foram suspensos. No mesmo ano, o jornalista foi afastado da chefia.

"Ditabranda"[ | ]

Protesto contra o uso da palavra "ditabranda" na sede do Grupo Folha. No banner, uma referência à famosa foto de morto após uma sessão de tortura, se lê: "A ditadura militar no Brasil, segundo a Folha de S.Paulo".

Em 17 de fevereiro de 2009, num criticando o governo de na , o jornal se referiu à como uma "", no seguinte trecho: "Mas, se as chamadas 'ditabrandas' _caso do Brasil entre 1964 e 1985_ partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou implantavam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça_, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente."

Houve reações imediatas e veementes ao uso da palavra – cunhada na na década de 1930, quando o general Damaso Berenguer substituiu o general e governou por decretos e revogou algumas medidas adotadas pelo ditador anterior. O período ficou conhecido como “dictablanda de Berenguer” (o termo foi depois usado, em diferentes contextos, no , no , no e na ).

A Folha publicou 21 cartas sobre o assunto, 18 delas críticas aos termos do editorial. Dentre as cartas estavam as dos professores da Universidade de São Paulo Maria Victoria Benevides e . Em sua carta, publicada, Comparato escreveu que o autor do editorial e o diretor de Redação que o aprovou "deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro".

Em resposta, o jornal classificou a indignação dos professores de "cínica e mentirosa", argumentando que, sendo figuras públicas, não manifestavam o mesmo repúdio a ditaduras de esquerda, como a cubana: “Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua 'indignação' é obviamente cínica e mentirosa.”

A utilização do termo "ditabranda" rendeu ao jornal críticas em fóruns de discussão na e em outros veículos de mídia, principalmente os que possuem tendências esquerdistas, tais como as revistas , (que publicou matéria de capa sobre a utilização do termo), e .

No dia 7 de março, houve em frente à sede da Folha, na região central de São Paulo, um protesto contra o uso do termo ditabranda no editorial e em solidariedade a Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. Nenhum dos dois estava presente.

O ato público, que reuniu cerca de 300 pessoas, foi organizado pelo Movimento dos Sem-Mídia, idealizado pelo blogueiro . O público era composto na sua maioria por familiares de vítimas da ditadura, estudantes e sindicalistas ligados à CUT.

No mesmo dia, o diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, divulgou a seguinte nota:

"O uso da expressão 'ditabranda' em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis. Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena - ou que a ditadura cubana, de esquerda. A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, 'de joelhos', a uma autocrítica em praça pública. Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam."

A nota levou os professores a pedir, por meio de seus advogados, a publicação de considerações a título de "direito de resposta”:

"Levar mais de duas semanas para reconhecer um desatino editorial (a classificação do regime militar brasileiro como 'ditabranda'), imputando a responsabilidade pelo episódio ao teor de nossas críticas, não parece um comportamento compatível com a ética do jornalismo. Sempre sustentamos, sem precisar receber lições de ninguém, que as vítimas de regimes arbitrários, aqui e alhures, merecem igual proteção e respeito, sem desvios ideológicos ou idiossincrasias pessoais."

O texto dos professores foi publicado seguido por nova nota da Redação:

"O tratamento dado pela Folha ao uso da palavra 'ditabranda' em editorial de 17 de fevereiro, com a publicação de diversas críticas e o reconhecimento da impropriedade do termo, é um exemplo de transparência editorial. Imaginava-se encerrado o episódio, mas os professores Comparato e Benevides estão empenhados em extrair dele o máximo rendimento possível. As opiniões de ambos sempre foram transmitidas pelo jornal, por meio de numerosos artigos, sem a necessidade de advogados. A 'resposta' acima é publicada com base na Lei 5.250/67, editada pela ditadura militar, a fim de que vítimas de regimes cautelosamente chamados de 'arbitrários' e vagamente situados 'alhures' também se sintam destinatários dessa solidariedade envergonhada."

Na esteira dos protestos, a , que pertence ao bispo , dono da , veiculou no programa uma sequência de ataques à Folha. A Record já havia atacado o jornal em reação à publicação de reportagem que desvendava atividades empresariais e irregularidades da igreja.

Durante 13 minutos, a emissora de TV usou depoimentos de vítimas da ditadura militar (1964-1985) para repetir críticas ao termo "ditabranda". O programa destacou que a "Folha da Tarde", hoje extinta e que pertenceu ao , apoiava no início dos anos 1970 a repressão do governo contra a guerrilha esquerdista.

Ficha policial falsa de Dilma Rousseff[ | ]

Em 5 de abril de 2009, a Folha de S.Paulo publicou, ao lado de uma reportagem que tratava do suposto plano da para sequestrar o então ministro da economia , uma suposta ficha policial de , do , ex-presidente da República, . A autenticidade de ficha de Dilma foi contestada. No dia 25 de abril, o jornal publicou reportagem afirmando ser impossível garantir que a ficha de Dilma era verdadeira:

“A Folha cometeu dois erros na edição do dia 5 de abril, ao publicar a reprodução de uma ficha criminal relatando a participação de Dilma Rousseff no planejamento ou na execução de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85). O primeiro erro foi afirmar na primeira página que a origem da ficha era o 'arquivo [do] Dops'. Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada bem como não pode ser descartada.”

Sobre o caso, o ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva escreveu, na Folha: “Depois de a ministra ter contestado que a ficha fosse autêntica, o jornal reconheceu não ter comprovado sua veracidade. Considerei insuficientes as justificativas para os erros cometidos e sugeri uma comissão independente para apurá-los e propor alterações de procedimentos para evitar repetição. A Redação, no entanto, considerou a averiguação encerrada.”

A suposta ficha policial pode ser encontrada no site do grupo e não existe no , onde estão guardados os documentos do antigo .

Em junho de 2009, um laudo produzido por professores do Instituto de Computação da (Unicamp) concluiu que a ficha policial foi fabricada digitalmente, apontando diversos indícios de manipulações tipográficas. Em artigo denominado Folha publicou ficha falsa de Dilma, o criticou o que chamou de "reconhecimento envergonhado do erro" por parte da Folha, além do pequeno espaço reservado para desfazer o equívoco em comparação ao destaque que a ficha obteve quando foi publicada na primeira página do jornal.

Eleições 2010[ | ]

Em setembro de 2010 a ombusdman de Folha de S.Paulo, Suzana Singer, criticou duramente o periódico. Segundo ela, o jornal estaria “se dedicando a revirar vida e obra” da candidata à presidência do e noticiando estas informações de forma parcial. Comentou ainda a reação de leitores no , onde a hashtag #DilmaFactsByFolha, uma série de piadas e críticas à Folha de usuários da rede social, chegou ao primeiro lugar dentre os temas mais comentados.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, no entanto, concluiu que a Folha, dentre os representantes da grande imprensa, publicou a cobertura mais crítica em relação aos dois candidatos, e teria sido ainda mais negativa em relação ao tucano que à petista Dilma Rousseff. O levantamento, feito em setembro e outubro de 2010, afirmou que, contrastando-se reportagens negativas, neutras e positivas, o saldo da Folha havia sido positivo em 3%. Também na eleição de 2006 havia sido a Folha, dentre os jornais, o “mais equilibrado, menos unilateral” e o que mais deu vazão a opiniões diferentes, segundo análise do Doxa (Laboratório de Pesquisas em Comunicação Política e Opinião Pública, do Iuperj).

Conclusão bem diferente teve um levantamento que analisou especificamente as manchetes de primeira página do jornal, no mês anterior ao primeiro turno da eleição. Segundo os dados do estudo, realizado pelo do portal Brasil de Fato, a Folha de S.Paulo geralmente optou por dar destaque de capa a temas negativos para a candidatura de Dilma. Do total de 30 manchetes de capa, concluiu-se que ela veiculou apenas duas positivas à campanha petista ("Lula vai à TV e afirma que Serra partiu para baixaria", no dia 8, e "Desemprego é o menor, e renda é a maior em 8 anos", no dia 24). Por outro lado, a Folha destacou um total de 18 manchetes desfavoráveis. Houve ainda uma manchete classificada como neutra e nove sobre temas diversos. Segundo o levantamento, além da Folha, os jornais e também deram forte ênfase a temas negativos para a candidatura de Dilma.

Falha de S. Paulo[ | ]

O jornal foi criticado por sua "falsa imparcialidade" pelo site , que satirizava a Folha por julgar tendencioso o conteúdo de suas notícias, favorecendo a candidatura de e se opondo indiscriminadamente ao . A Folha pediu à Justiça que o site fosse tirado do ar, argumentando que o uso de idêntico logotipo, com a alteração de uma letra, além de se prestar à confusão dos leitores, configurava uso indevido de marca. Juridicamente, o que está em questão é se o direito de sátira se sobrepõe ou não ao direito de propriedade.

Em 30 de setembro de 2010 uma liminar do juiz da 29ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo retirou do ar o site Falha de S. Paulo. Blogueiros da "" e os autores do site classificaram a liminar como uma forma de . O juiz do processo declarou que sua decisão se deu "não pela , que não é vedada, mas pelo fato da utilização de marca extremamente semelhante ao da autora [Folha]", concordando com o jornal.

Condenações na justiça[ | ]

Em agosto de 2008 o jornal foi condenado a indenizar em 250 mil reais um advogado, por tê-lo retratado em uma fotografia que ilustrava a matéria "Bairro de São Paulo atrai vizinhança homossexual", em insinuação de se tratar de público gay. A imagem foi publicada no caderno Cotidiano e fazia referência aos gays "de armário" que agendavam encontros noturnos pela internet. Segundo a defesa, a foto foi tirada furtivamente, em um momento em que o advogado abraçava um amigo. O fotógrafo teria eliminado do enquadramento as respectivas esposas, que se encontravam no local.

Em março de 2010 a jornalista e a Folha de S.Paulo foram condenadas a pagar 35 mil reais ao juiz Luiz Roberto Ayub a título de indenização por danos morais. A ação se iniciou em 2008, após a publicação do artigo "O lado podre da hipocrisia", em que Cantanhêde, reproduzindo uma afirmação que atribuiu à então ministra-chefe da Casa Civil, ("o governo não vai se submeter à decisão de um juiz de quinta", sobre o desempenho de Ayoub no caso ), concluiu que "já que a lei não vale nada e o juiz é 'de quinta', dá-se um jeito na lei e no juiz" e afirmou que "o juiz Luiz Roberto Ayoub aproximou-se do governo e parou de contrariar o presidente, o compadre do presidente e a ministra. Abandonou o 'falso moralismo' e passou a contrariar a lei.". Ayoub entendeu a afirmação como uma imputação de prevaricação e parcialidade. O juiz André Pinto rejeitou os argumentos da defesa, proferindo em sentença que "não se trata de mera opinião proferida com base na liberdade de expressão, como pretendem fazer crer as rés, mas de grave acusação contra o magistrado, onde lhe é imputado a prática de ato ilícito e de cunho extremamente lesivo à personalidade".

Em abril de 2010 o jornal foi condenado a pagar indenização de 50 mil reais ao blogueiro , ex-marido de . A Folha havia publicado, em 2001, uma peça publicitária de conteúdo considerado ofensivo, de autoria do jornalista , em que Favre era definido como uma "espécie de 171 da esquerda, é um trotskista com insuperável confusão mental e professor de Deus, tipo 'sabe-tudo'. Com a lábia de um vendedor de enciclopédia e insinuante como um dançarino de tango, ele é tudo o que o bom senador não é: um 'cachorrão'". A turma julgadora entendeu que o jornal extrapolou seu direito de informar ao noticiar fatos indecorosos à reputação de Favre.

Em junho de 2010 o jornal foi condenado a pagar indenização de 18 mil reais a uma mulher citada em um artigo do jornalista , publicado em março de 2008, como participante de um atentado a bomba contra o consulado dos em São Paulo, ocorrido em março de 1968. Segundo o processo, dois dias depois de publicar a matéria, o jornal voltou a repetir a informação. Embora pertencesse efetivamente ao grupo denominado , a mulher acusada encontrava-se fora do país na época do incidente. Em sua defesa, a Folha argumentou ter exercido o "direito de informar e criticar", mas, no entendimento do juiz Fausto José Martins Seabra, o jornal "abusou de seu direito de informar, atingindo a honra e a imagem da requerente ao lhe atribuir a prática de um crime".

Processos ganhos pelo jornal[ | ]

A Folha ganhou todos os processos julgados até agora em mais de cem ações de indenização movidas por fiéis da contra a Empresa Folha da Manhã S/A, que edita o jornal, e a jornalista . Ela é autora de reportagem publicada em novembro de 2007 sob o título "Universal chega aos 30 anos com império empresarial". As ações foram oferecidas nos mais distantes pontos do país, com as mesmas frases e citações. Já foram julgadas 90% dessas ações, todas favoráveis ao jornal e à repórter.

A Folha também obteve decisão favorável em ação movida pela Igreja Universal do Reino de Deus, que alegou ter se sentido ofendida com editorial intitulado “Intimidação e má-fé”, sobre a avalanche de processos movidos contra o jornal por adeptos da Igreja em todo o país. Por unanimidade, a 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou, em março de 2012, sentença que julgara improcedente a ação de indenização. Além do processo contra o editorial, a Universal também moveu, sem sucesso, uma ação contra a Folha e Elvira Lobato, em razão da reportagem intitulada "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", publicada em novembro de 2007. O jornal ganhou a ação e não cabe mais recurso. A igreja ainda moveu outra ação contra o jornal e o então colunista Fernando Barros e Silva, autor de artigo intitulado "Fé do Bilhão", publicado em dezembro de 2007. A decisão de primeira instância foi favorável ao jornal, e aguarda julgamento no TJ.

A Folha foi bem sucedida ao impetrar mandado de segurança em 2 de setembro de 2010 contra o presidente do Superior Tribunal Militar, em razão da recusa em dar acesso aos autos do processo criminal a que Dilma Rousseff respondeu em 1970 (Processo nº 366/70 do STM), sob o argumento de que se tratava de matéria sigilosa. Na ocasião, ela era candidata à Presidência da República, em eleição que ocorreria no mês seguinte. O jornal entendeu que a autoridade violou direito líquido e certo, diante do legítimo interesse público na divulgação de fatos relativos à vida da candidata. A segurança foi concedida em 19 de outubro de 2010 – depois das eleições – garantindo a publicidade do processo.

A Folha e a jornalista Renata Lo Prete obtiveram decisão favorável, em agosto de 2010, na 5ª Câmara Cível do . A Câmara reformou sentença que condenara o jornal e a então editora do “Painel” a indenizar , então presidente da (). Ele se sentira ofendido com nota publicada em 20 de julho de 2007 mencionando que a agência estaria rendida a interesses empresariais do setor, e que Zuanazzi seria alinhado com os interesses da . Em 2009, em primeira instância, a Folha e a jornalista foram condenadas a indenizar o autor em R$ 139.500,00. Ao reformar a sentença, a câmara do entendeu, por unanimidade, que a nota fazia menção à disputa interna no órgão governamental e que a Folha não incidiu em abuso, não havendo elementos a ferir o patrimônio moral de Zuanazzi. O Superior Tribunal de Justiça rejeitou recursos interpostos pelo ex-diretor da ANAC. Não cabe mais recurso.

A Folha obteve resultado favorável em março de , quando o manteve decisão do que considerou improcedente ação de indenização movida pela ex-senadora contra a Empresa Folha da Manhã S/A, que edita a Folha, e as colunistas e . Helena alegou ter sido ofendida pelas jornalistas, com a publicação de textos considerados por ela inverídicos e ofensivos à sua reputação. Ela disse que teve sua candidatura à Presidência em 2006 prejudicada porque foi propalado pela imprensa que "mantinha relação amorosa com o então senador ()" -o que ela nega. O STJ também entendeu que os boatos que a ex-senadora considerou ofensivos foram por ela mesma trazidos a debate público. Ainda há recurso pendente para ser julgado no ().

A Folha obteve decisão a seu favor quando a 9.ª Câmara de Direito Privado do , em votação unânime, rejeitou em dezembro de o pedido de indenização proposto pelo juiz federal Paulo Theotonio Costa, do , contra a Empresa Folha da Manhã S.A., que edita o jornal. Em , reportagem do jornalista Frederico Vasconcelos revelou que o magistrado ostenta supostos sinais de riqueza que contrastam com o padrão comum dos juízes brasileiros. Em 2001, ele foi afastado do . A câmara do confirmou sentença dada em primeira instância, em 2004, registrando constar nos autos "prova documental convincente sobre ter o autor [Theotonio Costa] patrimônio considerável, que não é ordinário do magistrado brasileiro, recrutado normalmente das classes média e média baixa". O magistrado entrou com recursos nos tribunais superiores, ainda pendentes de julgamento.

Em setembro de 2007, a Folha obteve decisão unânime da 8ª Câmara "A" de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, que acolheu apelação contra decisão que condenara o jornal a pagar o equivalente a 1.500 salários mínimos ao juiz federal Roberto Haddad, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, e a publicar a sentença com chamada em primeira página. Haddad moveu ação de indenização por causa de reportagem de Frederico Vasconcelos que, em 1999, revelou supostos sinais de riqueza do magistrado em contraste com o padrão comum dos juízes. Entre a livre expressão do pensamento e a liberdade de imprensa, de um lado e, de outro, os direitos da personalidade, o tribunal entendeu que o jornal agiu dentro dos limites da legalidade.

A Empresa Folha da Manhã S/A, que edita a Folha, e o jornalista Frederico Vasconcelos foram vitoriosos em julgamento na 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça dO Estado de S. Paulo, em junho de 2011. Por unanimidade, a Câmara reformou sentença que fixara uma indenização de R$ 1,2 milhão (valor que seria corrigido) a ser paga ao juiz federal Ali Mazloum. O magistrado alegou ter se sentido ofendido com reportagem intitulada "Mudança de sede causou polêmica", publicada em novembro de 2003. A Câmara entendeu que "não se pode confundir a atuação do jornalista coapelante, escritor de um livro de investigações jornalísticas envolvendo magistrados, com o teor da matéria". O relator concluiu que não havia na reportagem conteúdos difamatórios, falsos, ou mera intenção de prejudicar ou denegrir.

Por unanimidade, a 8ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo manteve, em novembro de 2011, sentença que rejeitara ação de indenização por danos morais oferecida pelo juiz federal Casem Mazloum contra o jornalista Frederico Vasconcelos, repórter especial da Folha. O magistrado alegou ter se sentido ofendido com as reportagens intituladas "Mudança de sede causou polêmica" e "Procuradoria investiga Juízes suspeitos de prejudicar a União", publicadas, respectivamente, nos dias 4 de novembro de 2003 e 22 de abril de 2007. A Câmara entendeu que nenhum excesso foi praticado e que a divulgação de informações verídicas e obtidas de modo lícito se deu sem sensacionalismo e dentro da normalidade e em respeito aos direitos fundamentais do autor [Casem Mazloum], tendo o jornalista exercido a liberdade de imprensa e o dever de informar. O magistrado recorreu da decisão.

Atualmente constitui os seguintes cadernos/seções:

Cadernos e seções diários
  • A: Primeira Página, Opinião (inclui a seção de artigos “Tendências/Debates” e o “Painel do Leitor”), Painel, Poder (aos domingos inclui o espaço do Ombudsman do jornal), Mundo (às segundas, inclui o "entrevista da 2ª") e Mercado (às segundas inclui o "Folhainvest" e o "mpme", às terças inclui o " Tec" e em dias alternados o "Agrofolha")
  • B: Cotidiano, Saúde (às terças inclui o "Equilíbrio"), Ciência (inclui o "Ambiente" em dias alternados da semana), Esporte e Folha Corrida
  • C: Ilustrada (inclui a coluna Mônica Bergamo) e Acontece (circula apenas em São Paulo)
  • Opinião — com fixo, ocupa as primeiras páginas do jornal, A2 e A3. A primeira página é ocupada por um ou dois ; três artigos de colunistas, de , e ; e a coluna vertical, com artigos de políticos e intelectuais com espaço fixo. A segunda página é ocupada pelo Painel do Leitor, pela seção Erramos e também pela seção Tendências/Debates, que aos domingos e dias de semana publica artigos assinados por personalidades (principalmente , e ), geralmente composições políticas contrárias entre si e aos sábados lança uma questão que é respondida com um artigo favorável e outro contra. Aos domingos, na seção Poder o Ombudsman da Folha comenta as principais notícias da semana e analisa a cobertura do próprio jornal seja criticando ou não.
Cadernos e seções semanais
  • Quarta-feira: Comida
  • Quinta-feira: Turismo
  • Sexta-feira: Guia da Folha (circula apenas em São Paulo)
  • Sábado: Sobre Tudo (Veículos, Empregos, Negócios)
  • Domingo: Ilustríssima, revista Sãopaulo (circula apenas em São Paulo) e Sobre Morar (Imóveis)
Revista mensal
  • Serafina (circula apenas em São Paulo,Rio de Janeiro e Brasília)

A do jornal Folha de S.Paulo foi conhecido como Folha.com até 20 de junho de 2012, como Folha Online até 23 de maio de 2010 e como Folha Web até 2000. Foi o primeiro jornal em da língua portuguesa. Apresenta notícias, artigos e temáticas sobre diversos assuntos, como , e .

Notas

  1. O próprio jornal grafa "Folha de S.Paulo", contrariamente à gramática; comumente é citado como "Folha de S. Paulo", "Folha de São Paulo" ou simplesmente "Folha".
  2. Pastas do arquivo do Deops relativas ao período de 1964 a 1980, dossiês e séries 20C, 20K, 20Z, 21Z, 30B, 30Z, 50D, 50K e 50Z. Jornal Venceremos, da ALN, e todas as edições disponíveis no arquivo do Centro de Documentação e Memória (Cedem), da (Unesp), de jornais clandestinos publicados a partir de 1967 (www.cedem.unesp.br/#1,80): Revolução e O Guerrilheiro, da ALN, Libertação, da Ação Popular (AP), Palmares, da VAR-Palmares, Imprensa Popular, do Movimento de Libertação Popular (Molipo), Política Popular, da Política Operária (Polop), Unidade Leninista e Movimento Operário, do Partido Operário Comunista (POC), Avante!, do Grupo Trotskista Popular, e Bandeira Vermelha, do Movimento Comunista Internacionalista (MCI), além de jornais editados fora do Brasil por militantes e exilados, como Frente Brasileira de Informação e Unidade e Luta.
  3. Ver a íntegra dos editoriais do Estado, do Jornal da Tarde e da Folha.

Referências

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